Em meio à “caminhada da liberdade” liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que parte de Paracatu (MG) com destino a Brasília (DF) em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e em defesa dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o evento realizado nesta quinta-feira (22/1), Do Val afirmou que o STF “gera medo de prisão” entre a população e comparou o atual comportamento da Corte a regimes autoritários, alegando que decisões monocráticas da Suprema Corte criam um clima de insegurança jurídica no país.
O parlamentar declarou, sem citar processos específicos, que “na eleição passada nós sofremos um golpe de Estado moderno” e que “bastou a Suprema Corte e a polícia” para “gerar medo de prisão”. Em sua fala ele equiparou o medo causado pelas decisões judiciais atuais ao terror imposto por regimes totalitários no passado.
Do Val também mencionou ter conversado com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmando que os EUA não irão interferir diretamente nas eleições de 2026, mas enviarão missões internacionais para fiscalizar o processo eleitoral brasileiro, destacando que esse monitoramento será rigoroso para assegurar a regularidade do pleito. Segundo ele, isso poderia resultar em “mudanças significativas” no Congresso Nacional.
A caminhada de Nikolas Ferreira tem atraído a adesão de aliados políticos de diferentes estados. Entre eles, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) anunciou sua participação com o objetivo de “fortalecer” o movimento e “deixar um recado” aos representantes de esquerda, defendendo a ideia de que o país enfrenta uma crise de justiça e liberdade.
O ato tem gerado preocupações de segurança e logísticas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que não foi comunicada previamente sobre o protesto, o que impactou a capacidade de planejar medidas de proteção para os manifestantes ao longo da BR-040, rodovia pela qual o grupo está caminhando rumo à capital federal. A corporação ressaltou que o grande fluxo de pessoas ao lado de veículos em movimento oferece riscos à segurança viária.
Organizado como forma de protesto contra decisões do STF, a caminhada já percorreu centenas de quilômetros e, segundo seus organizadores, deve reunir ainda mais apoiadores até sua chegada prevista em Brasília neste domingo (25/1).
Declarações críticas à Corte como as de Do Val e a mobilização de parlamentares aliados refletem a polarização política no Brasil em meio à preparação das eleições de 2026 e aos debates sobre o papel das instituições democráticas.
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