A recente reportagem do jornal norte-americano The New York Times, que revelou a existência de uma suposta “fábrica de espiões russos” atuando no Brasil, intensificou a já existente tensão entre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal (PF).
Apesar de a investigação envolver uma área tradicionalmente de competência da Abin, a agência não foi mencionada em nenhum momento na reportagem, o que gerou críticas internas. Fontes ligadas à Abin, que preferiram manter o anonimato, afirmam que essa omissão reflete uma estratégia da Polícia Federal, que teria adotado o “modus operandi” de vazar informações sigilosas, em uma tentativa de enfraquecer a agência.
“Parece que eles [PF] buscam enfraquecer a Abin, com o objetivo de tomar as competências do trabalho realizado pela agência para si”, declarou um funcionário da inteligência brasileira.
Nos últimos meses, servidores da Abin também têm denunciado o sucateamento da instituição, alertando para a redução orçamentária, considerada a menor em 14 anos.
De acordo com o The New York Times, a operação da Polícia Federal que identificou os nove espiões russos no Brasil contou com a colaboração de serviços de inteligência de países aliados, incluindo os Estados Unidos. A partir disso, membros da Abin especulam que a cooperação americana possa ter motivações políticas.
Procurada pelo Metrópoles para comentar as alegações dos funcionários da Abin, a Polícia Federal não respondeu até o momento da publicação da matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
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