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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026

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Yamal e Neymar são tão parecidos assim? O que o campo e os números revelam

Lamine Yamal surgiu ao futebol com uma comparação óbvia: o jovem do Barcelona lembra Neymar no início da carreira. Não é difícil entender o motivo. Parece se divertir como o brasileiro fazia na sua idade e os movimentos são curiosamente semelhantes. Dos gestos com a mão na corrida aos calções largos e desnecessariamente baixos. A …

Notícias de Porto Velho
Por Notícias de Porto Velho
Yamal e Neymar são tão parecidos assim? O que o campo e os números revelam
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Yamal e Neymar são tão parecidos assim? O que o campo e os números revelam

Lamine Yamal surgiu ao futebol com uma comparação óbvia: o jovem do Barcelona lembra Neymar no início da carreira. Não é difícil entender o motivo. Parece se divertir como o brasileiro fazia na sua idade e os movimentos são curiosamente semelhantes. Dos gestos com a mão na corrida aos calções largos e desnecessariamente baixos.

A semelhança vai além da estética. Neymar e Yamal começaram a chamar a atenção ainda adolescentes, assumiram responsabilidades em clubes gigantes de suas respectivas realidades e passaram a enfrentar defesas que já sabiam o que esperar deles. Mesmo assim, continuaram encontrando maneiras de desequilibrar. A ousadia não é apenas um adorno: faz parte da maneira como cada um interpreta o jogo.

Mas dizer que Yamal é uma versão de Neymar seria simplificar duas trajetórias que se cruzam em alguns aspectos e se afastam em outros. Considerando as três primeiras temporadas profissionais completas de cada um, Neymar teve uma produção de gols muito superior, enquanto Yamal se aproximou dele no volume de participações em gols e construiu uma trajetória de protagonismo em um contexto competitivo diferente.

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O que os números dizem sobre os primeiros anos de Neymar e Yamal

Para comparar os dois sem misturar períodos diferentes da carreira, a Trivela considera as três primeiras temporadas completas de Neymar no Santos, entre 2009 e 2011, e as três primeiras temporadas de Yamal no time principal do Barcelona, entre 2023/24 e 2025/26. Neymar estreou profissionalmente aos 17 anos. Yamal, aos 15, e completou 19 em julho de 2026. Portanto, as janelas não correspondem exatamente à mesma idade.

Neymar – Santos, 2009 a 2011

  • Jogos: 155
  • Gols: 80
  • Assistências: 40
  • Principais títulos no período: dois Campeonatos Paulistas, uma Copa do Brasil e uma Libertadores.

Lamine Yamal – Barcelona, 2023/24 a 2025/26

  • Jogos: 150
  • Gols: 49
  • Assistências: 45
  • Principais títulos no período: duas LaLigas, duas Supercopas da Espanha e uma Copa do Rei.
Lamine Yamal, do FC Barcelona, tira uma selfie com o troféu de melhor em campo após a partida da segunda rodada da Champions League entre Galatasaray e Barcelona, no Rams Park Stadium, em Istambul, na Turquia, em 13 de outubro de 2026.Lamine Yamal com o troféu de melhor em campo na Champions League. (Foto: Tolga Uluturk/IMAGO / ZUMA Press Wire)

A primeira diferença é evidente: Neymar marcou 31 gols a mais no recorte. Sua explosão em 2010 foi extraordinária: em 60 partidas, marcou 42 gols e distribuiu 22 assistências, segundo dados do “Transfermarkt”. Não era apenas um driblador que criava oportunidades para os outros, já era um finalizador de volume muito alto, capaz de decidir partidas em diferentes competições.

Yamal teve uma progressão mais gradual, embora tenha assumido protagonismo rapidamente. Em 2023/24, sua primeira temporada completa, marcou sete gols e deu sete assistências em 50 jogos. Em 2024/25, alcançou 18 gols e 21 assistências em 55 partidas. Na temporada seguinte, marcou 24 gols e distribuiu 17 assistências em 45 jogos. Os números mostram um jogador que passou a combinar criação e finalização em uma escala cada vez maior.

Há o contexto: Neymar atuava em uma equipe na qual era um dos principais finalizadores desde cedo e chegou a 42 gols em 2010, incluindo 11 na Copa do Brasil. Yamal, por sua vez, construiu uma parcela maior de seu impacto como criador: sua temporada de 2024/25, por exemplo, terminou com 39 participações em gols em todas as competições, enquanto dividia protagonismo com nomes como Raphinha e Robert Lewandowski.

O contexto competitivo é crucial na comparação

Neymar chegou ao profissional em março de 2009 e começou a construir sua reputação em um Santos que tinha um ambiente favorável ao talento ofensivo. O time de 2010, com Ganso, André, Arouca e outros jogadores de qualidade, tornou-se uma das equipes mais empolgantes do país. Em 2011, ganhou novamente o Paulista e foi protagonista do título da Libertadores, colocando o Santos no topo do continente.

O brasileiro, portanto, não produziu seus números em um ambiente sem pressão. A Libertadores de 2011 exigiu que ele enfrentasse adversários sul-americanos experientes, jogos de alta tensão e defesas que procuravam interromper seu ritmo com contato físico. A Copa do Brasil também trouxe confrontos eliminatórios e partidas fora de casa.

Mas o caminho era diferente do de Yamal: Neymar ainda disputava o Campeonato Paulista, uma competição regional que oferece mais jogos e oportunidades de marcar contra equipes de níveis variados, enquanto o espanhol atua em uma liga nacional europeia de alto nível e participa regularmente da Champions League.

Neymar pelo Santos, em 2010Neymar pelo Santos, em 2010 (Foto: Folhapress / Icon Sport)

Yamal, por sua vez, estreou no Barcelona em abril de 2023 e passou a integrar um elenco que disputa LaLiga, Copa do Rei e Champions League. Sua temporada de 2023/24 já incluiu dez partidas na competição europeia. A exposição a esse nível desde muito jovem não torna automaticamente seus números mais valiosos, mas muda a natureza dos desafios que enfrenta. Sem contar na conquista da Eurocopa de 2024 com a Espanha, aos 16 anos, como titular.

Não é correto, portanto, usar os números brutos para concluir que Neymar era muito superior ou que Yamal já o ultrapassou. O brasileiro teve uma produção goleadora inicial mais explosiva. O espanhol desenvolveu cedo uma função de criador de elite e teve participação importante em um time que joga em um contexto de alta exigência. As duas trajetórias têm méritos próprios.

A semelhança técnica é real, mas a função tática, nem tanto

A comparação visual entre os dois começa no drible. Neymar era capaz de alternar mudanças de direção curtas com acelerações longas, usar as duas pernas e manipular o ritmo do marcador. Não precisava sempre vencer o adversário com velocidade pura: muitas vezes, fazia o defensor deslocar o peso para um lado e atacava o espaço criado no outro.

A imprevisibilidade era uma de suas maiores armas.

Yamal compartilha essa habilidade de provocar o marcador, mas costuma fazê-lo a partir de uma configuração diferente. Como ponta-direita canhoto, recebe frequentemente aberto e cai para dentro, em direção ao meio-espaço, para finalizar ou encontrar um passe entre os defensores. Também pode permanecer aberto para esticar a defesa, atrair o lateral e abrir espaço para a chegada de um companheiro.

A diferença está no modo como cada um usa a bola para manipular a defesa. Neymar jovem tinha uma relação muito fluida com a posição: podia partir da esquerda, aparecer por dentro, receber perto da área ou carregar a bola desde zonas mais baixas. Sua habilidade de jogar com as duas pernas permitia que ele ameaçasse por diferentes ângulos. Yamal é mais claramente associado ao corredor direito e ao movimento para dentro com a canhota.

Essa posição também muda o tipo de problema que cada um cria para o adversário. Quando Neymar recebia pela esquerda, podia atacar o lateral por fora, cortar para dentro ou combinar com Ganso e os laterais. Sua liberdade de movimentação frequentemente fazia com que os defensores precisassem decidir se saíam da linha para persegui-lo ou protegiam a área. O Santos explorava essa liberdade.

Lamine Yamal durante hino nacional espanholLamine Yamal durante hino nacional espanhol (Foto: Marko Metlas / MN Press Photo / IMAGO)

Yamal, no Barcelona, participa de um sistema em que a ocupação racional dos espaços é essencial. A equipe tenta atrair a pressão, encontrar jogadores entre as linhas e liberar o ponta para receber em condições de enfrentar o lateral. O drible não é um evento isolado: faz parte de uma estrutura que busca criar superioridade numérica ou liberar um jogador em vantagem.

É nesse aspecto que a comparação se torna mais interessante. Os dois não driblam apenas para superar um adversário: fazem isso para alterar a organização defensiva. Há, no entanto, uma diferença no peso da criação.

Neymar acumulava funções de finalizador, driblador e principal referência ofensiva. O time frequentemente dependia de sua capacidade de resolver jogadas individuais, embora Ganso também tivesse papel de organização. Yamal, por sua vez, tornou-se uma peça de criação muito importante no Barcelona, combinando a ameaça de gol com a capacidade de servir os companheiros.

Irreverência, personalidade e o risco de transformar semelhança em destino

Existe ainda um elemento menos mensurável que aproxima os dois: a irreverência. Neymar chegou ao Santos como um adolescente que parecia jogar sem receio de tentar um drible difícil ou uma finalização inesperada. A personalidade em campo fazia parte de seu apelo. Não era apenas um jogador habilidoso, mas parecia gostar de mostrar a habilidade, mesmo quando isso envolvia o risco.

Yamal transmite uma sensação parecida. Ele aceita receber em zonas congestionadas, encara marcadores mesmo depois de errar e não abandona a tentativa de criar uma vantagem individual. Essa ousadia pode irritar adversários e torcedores rivais, mas também tem valor competitivo: um atacante que insiste no um contra um obriga a defesa a tomar decisões e pode quebrar a estrutura de um jogo que parecia controlado.

A irreverência, porém, não deve ser confundida com falta de disciplina ou personalidade idêntica. Neymar e Yamal cresceram em ambientes culturais e midiáticos diferentes, e cada um desenvolveu sua própria maneira de lidar com a pressão. A semelhança no campo não permite prever como será a trajetória de Yamal, nem autoriza projetar sobre ele todas as expectativas que acompanharam Neymar.

Neymar pela seleção brasileiraNeymar pela seleção brasileira. Foto: IMAGO / APL

O brasileiro foi tratado muito cedo como sucessor de Pelé, uma comparação que acompanhou sua carreira no Santos e ajudou a ampliar a pressão sobre seus primeiros anos. Yamal, por sua vez, já enfrenta a expectativa de ser um dos rostos do futebol mundial e de disputar os maiores prêmios individuais. Comparações com Neymar podem ajudar a descrever seu estilo, mas também têm seu risco.

A comparação mais justa é aquela que reconhece o que há de comum sem apagar as diferenças. Neymar e Yamal compartilham a capacidade de usar o drible como ferramenta de criação, a ousadia de enfrentar adversários e uma relação com a bola que vai além da execução mecânica. Mas Neymar foi um atacante de explosão goleadora extraordinária no início de sua carreira, enquanto Yamal se destacou rapidamente como um criador que também faz gols em alto nível.

Um se formou como protagonista de um Santos que misturava talento e improvisação, o outro cresceu em um Barcelona que procura transformar a técnica individual em vantagem coletiva por meio da ocupação dos espaços. No fim, a semelhança é real, e talvez seja justamente por isso que a comparação funciona tão bem.

Os dois fazem o futebol parecer menos previsível, desafiam o marcador a tomar decisões difíceis e transformam a habilidade individual em uma forma de expressão. Mas Yamal não precisa ser o novo Neymar para se tornar um jogador histórico.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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