Luis Enrique não cansa de transformar jogadores no PSG. Na última vitória do time, 5 a 1 sobre o Le Havre, na última sexta-feira (30), a escalação do meio-campo veio com uma enorme surpresa: um ponta, jogador 100% ofensivo, virou primeiro volante e jogou bem. É uma má notícia para Lucas Beraldo, zagueiro de origem, que tem atuado de meio-campista.
Maghnes Akliouche, contratado nesta temporada, chegou com experiência de atuar no Monaco na ponta direita e como camisa 10 por sua qualidade no passe. No entanto, desde que chegou a Paris, fez todas as posições possíveis do meio para frente: pela esquerda do ataque, de falso nove, dos dois lados no trio de meio e, finalmente, como primeiro volante.
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Como foi a atuação de Akliouche como volante no PSG
Obviamente, o jovem de 24 anos não ficou fixo na função: flutuou por dentro, avançou para a ponta e trocou muitas vezes de função com Warren Zaïre-Emery. Mas seu posicionamento natural na saída de bola quase sempre foi à frente dos zagueiros. “Ele fez um pouco o papel de Vitinha, atuando um pouco mais recuado”, explicou Luis Enrique após o jogo.
— Maghnes pode jogar em qualquer posição. Gosto particularmente da capacidade que ele tem de jogar com a bola e sem ela. Gostamos da mobilidade dele e o que procuramos aproveitar é justamente sua capacidade de jogar com e sem a bola — completou.
Akliouche teve uma atuação essencial na construção, como pede a função de camisa 5, com 64 passes certos, só atrás da dupla de zaga e Lucas Digne, que participam da saída de bola mais recuados, além de 77 ações com bola.
Luis Enrique destacou que, assim que o francês chegou ao clube, percebeu a “capacidade que ele tem de quase nunca perder a bola“. Ele somou apenas sete perdas de bola na partida, menos da média de Vitinha na Ligue 1, de 9.1. Os dados são da plataforma “Sofascore”.
— É isso que acontece quando você não erra na hora de contratar um jogador. Você precisa escolher jogadores que façam as coisas de maneira natural, sem exigir deles algo diferente. E o que ele faz naturalmente é justamente o que gostamos. Além disso, é muito fácil trabalhar com esse tipo de jogador.
Claro que o contexto importa. Usar um ponta como primeiro volante é naturalmente mais fácil contra o Le Havre, lanterna do Campeonato Francês, sem vitórias após nove rodadas. Luis Enrique, porém, não descartou repetir a ideia ousada contra o Villarreal, nesta terça-feira (3), pela Champions League.
— Importante é ver os jogadores em situações diferentes, conhecê-los melhor. Estamos atentos e abertos a todas as possibilidades, especialmente quando se trata de jogadores dessa qualidade — explicou em coletiva nesta segunda (2).
Por que isso é ruim para Beraldo
A partir de março deste ano, o técnico do PSG mudou a realidade de Beraldo ao transformar o promissor zagueiro canhoto, conhecido pela qualidade no passe, em um primeiro volante. É uma tentativa de ter um substituto à altura de Vitinha, o camisa 5 titular do time.
O brasileiro foi bem nos testes e chegou a fazer um jogaço com gol e assistência em abril, quando o treinador espanhol chegou a dizer que o meia improvisado era mais “Sergio Busquets do que Vitinha”. Tanto que ele praticamente não voltou mais para a zaga, ocupada pelos titulares Marquinhos e Willian Pacho e pelos reservas Ilya Zabarnyi e Lucas Hernández.
Atuar como meio-campista, porém, ainda não é tão regular para Beraldo, que tem apenas quatro jogos como titular na temporada e nenhuma atuação tão boa como na temporada passada. Se os minutos não são tão regulares para o ex-São Paulo agora, pode piorar se Akliouche atuar como camisa 5 mais frequentemente.
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