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Domingo, 15 de Fevereiro de 2026

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Uso de Ozempic e Wegovy reduz gastos com comida nos EUA, revela estudo inédito

Medicamentos originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2 — como Ozempic e Wegovy — estão provocando um efeito colateral inesperado, mas mensurável: a redução significativa dos gastos com alimentação entre famílias norte-americanas.

Notícias de Porto Velho
Por Notícias de Porto Velho
Uso de Ozempic e Wegovy reduz gastos com comida nos EUA, revela estudo inédito
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Nova York / São Paulo – Medicamentos originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2 — como Ozempic e Wegovy — estão provocando um efeito colateral inesperado, mas mensurável: a redução significativa dos gastos com alimentação entre famílias norte-americanas. Um estudo publicado em dezembro de 2025 no Journal of Marketing Research, conduzido por pesquisadores da Universidade Cornell, analisou dados reais de consumo e constatou que usuários desses fármacos gastam menos tanto em supermercados quanto em restaurantes.

Queda persistente nos gastos

Segundo a pesquisa, seis meses após o início do uso de agonistas do receptor GLP-1 (classe à qual pertencem Ozempic e Wegovy), os domicílios estudados reduziram seus gastos com supermercado em média 5,3%. Entre famílias de alta renda, essa queda ultrapassou 8%.

Já nas despesas com alimentação fora de casa — especialmente em redes de fast-food e cafeterias — a diminuição foi ainda mais expressiva: cerca de 8%.

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“Os dados mostram mudanças claras nos gastos com alimentação após a adoção. Depois da interrupção do uso, esses efeitos se tornam menores e mais difíceis de diferenciar dos padrões anteriores”, afirmou a professora assistente de marketing Sylvia Hristakeva, uma das autoras do estudo.

Metodologia robusta

Diferentemente de pesquisas baseadas apenas em relatos subjetivos, o estudo utilizou registros reais de transações fornecidos pela empresa Numerator, que acompanha as compras de cerca de 150 mil domicílios nos EUA. Esses dados foram cruzados com questionários periódicos sobre o uso de medicamentos GLP-1, permitindo isolar o impacto da medicação sobre os hábitos de consumo.

Menos ultraprocessados, mais alimentos leves

As maiores quedas ocorreram em categorias ligadas ao consumo por impulso ou desejo alimentar:

  • Salgadinhos: –10%
  • Doces e biscoitos: queda semelhante
  • Panificação industrializada: redução acentuada

Itens básicos, como pão, ovos e carnes, também registraram declínio, embora em menor escala. Por outro lado, houve ligeiro aumento nas compras de:

  • Iogurtes
  • Frutas frescas
  • Barras nutricionais
  • Snacks de carne

Mesmo assim, segundo os pesquisadores, “o padrão predominante é a diminuição do volume total de alimentos adquiridos”.

Impacto econômico potencial

Com a popularização contínua dos medicamentos GLP-1 — impulsionada pelo uso off-label para perda de peso —, especialistas alertam que setores como indústria alimentícia, varejo de alimentos e redes de restaurantes podem precisar se adaptar a um novo perfil de consumidor: aquele que sente menos fome, compra menos impulsivamente e evita calorias vazias.

Estima-se que, só nos EUA, mais de 10 milhões de pessoas já usem algum medicamento da classe GLP-1, número que tende a crescer com a chegada de genéricos e novas formulações injetáveis de longa duração.

Brasil observa tendência

Embora o estudo seja focado nos EUA, o fenômeno já começa a ser notado no Brasil. Farmácias relatam alta demanda por semaglutida (princípio ativo do Ozempic), muitas vezes usada sem prescrição médica adequada. A Anvisa reforça que o uso deve ser sempre supervisionado por profissionais de saúde, devido a riscos como hipoglicemia, pancreatite e distúrbios gastrointestinais.

FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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