A economia do Brasil cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao segundo trimestre, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetavam em média 0,2%.
Produção: agro e indústria puxam, serviços praticamente estagnam
Pela ótica da produção, a alta tímida no trimestre foi impulsionada pelos setores de agropecuária e indústria. A agropecuária avançou 0,4%, enquanto a indústria cresceu 0,8%, com destaque para construção, indústrias extrativas e de transformação.
Já o setor de serviços — responsável por cerca de 70% da economia brasileira — praticamente não registrou variação (+0,1%), o que limitou a capacidade de retomada mais vigorosa da economia.
Demanda: consumo e investimentos sofrem, exportações e governo sustentam
No lado da demanda, o consumo das famílias cresceu modestamente (0,1%), enquanto a formação bruta de capital fixo (investimentos) teve alta de 0,9%. A despesa do governo também registrou expansão.
As exportações de bens e serviços avançaram 3,3% no trimestre, contribuindo positivamente para o resultado econômico, embora o conjunto da economia tenha ficado em ritmo lento.
Comparativos históricos e contexto
No acumulado dos últimos 12 meses até o terceiro trimestre, o PIB cresceu 1,8%. A despeito da alta registrada no começo do ano — com crescimento de 1,4% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo — a desaceleração ao longo de 2025 ficou evidente.
Diante do resultado modesto, o governo revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia para 2025: a estimativa caiu de 2,3% para 2,2%.
O que explica o desempenho — e os riscos pela frente
Economistas apontam que a estagnação dos serviços e o consumo fraco das famílias são sinais de desaceleração mais ampla. A combinação de juros elevados, inflação persistente e cenários de incerteza pode ter pesado sobre o poder de compra e a confiança para investimentos.
Apesar disso, setores como agropecuária e indústria continuam mostrando resiliência, o que impede uma queda mais drástica. Também as exportações mantêm o ritmo, apoiadas por demanda externa.
A formação bruta de capital fixo registrou crescimento — embora modesto — o que sugere que parte do investimento privado e público permanece ativo, especialmente em infraestrutura e construção.
Conclusão: crescimento existe, mas economia caminha com cautela
O resultado do terceiro trimestre confirma que a economia brasileira não estagnou — mas cresceu muito pouco. O fraco desempenho dos serviços e o consumo modesto das famílias mostram que a recuperação está longe de ser ampla e robusta. O crescimento de 0,1% representa, no fundo, uma acomodação da economia que deve preocupar para os próximos meses, especialmente diante de juros altos e incertezas globais.
Para reverter esse quadro, será necessário estímulo ao consumo, manutenção de investimentos — especialmente em infraestrutura — e políticas que favoreçam retomada da atividade nos setores de serviços, os mais sensíveis à renda e confiança do consumidor.
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