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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026

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Lisandro Martínez expôs ferida antiga do Manchester United, mas quem paga pelo fracasso?

O Manchester United passou anos procurando respostas para uma pergunta: por que um dos clubes mais ricos e populares do mundo não consegue voltar a disputar títulos de Premier League e Champions League com regularidade? Trocas de treinadores, contratações caras que não deram retorno, jogadores afastados, conflitos no vestiário e mudanças na estrutura de comando …

Notícias de Porto Velho
Por Notícias de Porto Velho
Lisandro Martínez expôs ferida antiga do Manchester United, mas quem paga pelo fracasso?
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Lisandro Martínez expôs ferida antiga do Manchester United, mas quem paga pelo fracasso?

O Manchester United passou anos procurando respostas para uma pergunta: por que um dos clubes mais ricos e populares do mundo não consegue voltar a disputar títulos de Premier League e Champions League com regularidade? Trocas de treinadores, contratações caras que não deram retorno, jogadores afastados, conflitos no vestiário e mudanças na estrutura de comando são hipóteses.

Na terça-feira (13), depois da derrota por 2 a 0 para o Atlético de Madrid, Lisandro Martínez decidiu acrescentar mais um capítulo a essa história. O zagueiro argentino não se limitou a lamentar o resultado. Questionou diretamente o trabalho da diretoria e apontou Jason Wilcox, diretor de futebol do clube, como um dos responsáveis pela falta de reforços.

“Espero mais do nosso diretor técnico”, afirmou, ao defender a necessidade de maior investimento no elenco. O argentino também argumentou que o time havia construído uma base na temporada anterior, mas não recebeu os reforços necessários para dar continuidade ao projeto.

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Lisandro Martínez atacou a diretoria do Manchester United e agora pode sofrer consequências

Lisandro Martínez atacou a diretoria do Manchester United e agora pode sofrer consequências

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O estopim veio com Martínez, mas crise do United é antiga

Jogadores do United raramente expõem a diretoria de maneira tão explícita enquanto ainda defendem o clube. Cristiano Ronaldo fez isso em sua entrevista explosiva de 2022, mas já estava em rota de colisão e deixaria Old Trafford pouco depois.

O zagueiro argentino reconheceu que falou movido pela raiva e pela frustração, mas não retirou o conteúdo das críticas. A discussão que se abriu vai além da atitude individual do zagueiro. Afinal, Martínez ultrapassou uma linha que deveria permanecer intacta dentro de um clube de futebol ou apenas verbalizou uma insatisfação que já não cabe mais nos bastidores?

E por que, no Manchester United, tantos conflitos parecem acabar em confrontos públicos sem que a estrutura responsável por organizar o futebol consiga transmitir uma sensação duradoura de estabilidade?

Lisandro Martínez marca último gol do United contra o Sabah (Foto: Ernest Kolodziej/Ball Raw Images)

A saída de Sir Alex Ferguson, em 2013, inaugurou um período em que o Manchester United perdeu a capacidade de transformar seu poder econômico em domínio esportivo. O clube continuou gastando muito, contratando nomes de destaque e trocando de treinador em busca de uma fórmula capaz de recuperar o protagonismo. Mas, ao longo dos anos, diferentes projetos se sucederam sem produzir uma identidade estável.

David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjaerr, Erik ten Hag e outros tiveram de administrar elencos montados sob diferentes ideias de futebol. Cada mudança exigia adaptações, novas contratações e, em muitos casos, a perda de espaço de jogadores que haviam sido escolhidos pelo antecessor. O resultado foi uma sequência de reconstruções que nem sempre começavam de um ponto claramente definido.

Rashford, Cristiano Ronaldo e os outros críticos no Manchester United

Marcus Rashford identificou essa falta de continuidade em agosto de 2025, quando afirmou que o clube estava em uma espécie de “terra de ninguém”. Emprestado ao Barcelona naquele momento, o atacante disse que o United não havia estabelecido uma direção clara desde a aposentadoria de Ferguson e que as mudanças frequentes de treinadores e estratégias impediram uma transição consistente.

A trajetória de Rashford ilustra como essa instabilidade pode afetar a relação entre clube e jogador. Transformado em símbolo da base, o atacante passou de referência esportiva e figura popular a um nome fora dos planos de Ruben Amorim. Em 2025, foi emprestado depois de perder espaço, enquanto outros jogadores também buscaram uma saída.

O caso de Sancho é maior. Em setembro de 2023, depois de Erik ten Hag explicar que o atacante havia ficado fora da convocação para enfrentar o Arsenal por causa de seu desempenho nos treinamentos, o jogador respondeu publicamente nas redes sociais. Disse que estava sendo transformado em bode expiatório e contestou a versão apresentada pelo treinador.

Cristiano Ronaldo em jogo de Portugal na Copa do Mundo 2026Cristiano Ronaldo em jogo de Portugal na Copa do Mundo 2026. Foto: IMAGO / Xinhua

O United respaldou Ten Hag naquele momento. Sancho ficou afastado do elenco principal e acabou emprestado ao Borussia Dortmund em janeiro de 2024. A discussão não era apenas sobre a qualidade do jogador ou sobre a autoridade do treinador: era também sobre a maneira como o clube administrava um conflito que rapidamente se tornou irreversível.

Um ano antes, Cristiano Ronaldo havia protagonizado uma ruptura ainda mais barulhenta. Em entrevista a Piers Morgan, o português afirmou que se sentia traído pelo Manchester United, criticou Ten Hag e questionou a estrutura do clube. Também atacou a propriedade dos Glazers e disse que não sentia que os dirigentes desejavam ouvir suas opiniões.

A entrevista foi publicada quando sua relação com o treinador já estava deteriorada, após episódios como a recusa em entrar em campo contra o Tottenham e a saída antecipada do estádio. O United rescindiu seu contrato por acordo mútuo em novembro de 2022. Ronaldo e Martínez não fizeram exatamente a mesma crítica.

A diferença está também na posição de cada um. Ronaldo falou quando sua permanência já estava comprometida, e a entrevista funcionou como um rompimento definitivo. Martínez, por outro lado, fez a crítica enquanto ainda integra o elenco e precisa conviver diariamente com as consequências de suas palavras.

É um movimento arriscado, mas que expõe uma tensão antiga: em que momento cobrar publicamente o clube passa a ser uma forma legítima de exigir mudanças, e quando se transforma em um obstáculo para a própria equipe?

Ídolos não concordam sobre como cobrar direção

A reação às declarações de Martínez revelou outra particularidade do Manchester United: até quem concorda que o clube enfrenta problemas pode discordar radicalmente sobre como eles devem ser expostos. Wayne Rooney foi um dos críticos mais contundentes do zagueiro.

O ex-atacante reconheceu que Martínez parece querer ver o United investir mais e voltar a competir pelos maiores títulos, mas considerou que o argentino ultrapassou o limite ao levar o debate à imprensa. Para Rooney, a atitude poderia ser interpretada como desrespeito aos companheiros, sobretudo aos jogadores mais jovens, que precisariam de liderança e união em um momento de dificuldade.

Wayne Rooney, ex-atacante do Manchester United. Foto: IMAGO / SportimageWayne Rooney, ex-atacante do Manchester United. Foto: IMAGO / Sportimage

Ashley Young também defendeu que os jogadores assumam sua parcela de responsabilidade. Roy Keane, por outro lado, aproveitou o episódio para voltar a criticar o funcionamento geral do United. O ex-capitão já havia descrito o clube como um “circo” e usou o novo conflito como mais um sinal de desorganização.

A diretoria também precisa ser julgada pelo que faz, não apenas pela quantidade de dinheiro que gasta. Na janela de verão de 2026, o United investiu pesado no meio-campo, contratando Carlos Baleba, Andrey Santos e Youri Tielemans, além do goleiro reserva Karl Darlow. Mas não reforçou a defesa ou o ataque com a mesma intensidade, apesar de ter buscado nomes para a lateral esquerda.

É possível questionar a cobrança de Martínez sem absolver a diretoria. O zagueiro também faz parte de um elenco que precisa apresentar resultados, e suas próprias atuações estão sujeitas a críticas. Mas o desempenho individual não elimina o debate sobre a construção do plantel. Da mesma forma, uma contratação mal-sucedida não prova, sozinha, que toda a estrutura de futebol está errada.

JJ Gabriel e a crise de confiança que chega até a base

O episódio envolvendo JJ Gabriel acrescenta uma dimensão maior ao debate. Em setembro, o atacante de 15 anos pediu para deixar o Manchester United e cancelar seu registro no clube, justamente quando havia a possibilidade de ser incluído no elenco principal para uma partida da Copa da Liga. O jovem é considerado uma das maiores promessas da academia e havia marcado 26 gols em 29 jogos na temporada anterior.

Gabriel ainda está no início da carreira, e as circunstâncias de sua decisão são diferentes. O United afirmou acreditar que havia apresentado um caminho para o jovem chegar ao time principal, com reuniões envolvendo o treinador e Sir Alex Ferguson. O jogador e seus representantes, porém, demonstraram insatisfação com a maneira como seu desenvolvimento vinha sendo conduzido.

JJ Gabriel é grande promessa do Manchester UnitedJJ Gabriel é grande promessa do Manchester United (Foto: Imago/Sportimage)

Não há base para afirmar que a saída de Gabriel seja consequência direta da mesma falha de planejamento apontada por Martínez, mas há uma coincidência: enquanto o time principal debate sua capacidade de competir no mais alto nível, uma das maiores promessas questiona seu futuro no clube.

A base sempre foi parte fundamental da identidade do Manchester United. Rashford é um dos exemplos mais conhecidos de um jogador que percorreu o caminho da base até o protagonismo na equipe principal. Quando um jovem com o potencial de Gabriel considera sair antes mesmo de assinar seu primeiro contrato profissional, a preocupação não se limita ao talento que o clube pode perder.

Jovens precisam enxergar oportunidades, jogadores experientes precisam saber qual é seu papel e treinadores precisam receber um elenco compatível com as ideias que pretendem implementar. Tudo isso depende de decisões tomadas por dirigentes, que precisam alinhar as prioridades esportivas e financeiras.

O Manchester United não chegou a esse ponto por causa de uma entrevista ou de uma discussão isolada. A crise atual é resultado de uma sequência longa de escolhas, algumas feitas há anos, cujas consequências ainda afetam a montagem do elenco e a estabilidade do clube. A troca de um treinador pode ser necessária em determinadas circunstâncias, assim como a saída de um jogador que não corresponde às expectativas. Mas nenhuma dessas medidas, sozinha, resolve a falta de continuidade.

Martínez pode ter escolhido o momento errado, ou exposto um conflito que deveria ser tratado internamente e ainda terá de provar que suas críticas não servem como desculpa para o desempenho do time. Mas nada disso elimina a pergunta que ele colocou sobre a mesa: por que a cobrança recai tão facilmente sobre quem está em campo, enquanto o planejamento que determina quem estará em campo raramente ocupa o mesmo espaço?

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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