O governo federal está preparando uma mudança na política nacional de combustíveis, com a proposta de aumentar de 27% para 30% a quantidade de etanol misturada à gasolina. A medida, que já vinha sendo estudada, foi reforçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante reunião na segunda-feira (23/6), diante da crescente tensão no Oriente Médio e do risco de aumento nos preços dos combustíveis e da energia elétrica.
A conversa entre os interlocutores ocorreu no contexto de um esforço para blindar o Brasil contra possíveis impactos econômicos decorrentes da escalada do conflito entre Israel e Irã. O preço do petróleo tem subido consecutivamente, impulsionado por fatores como a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz — via estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Com a elevação da mistura de etanol, o governo estima que o país possa alcançar total autosuficiência na produção de gasolina, tornando-se menos vulnerável às oscilações do mercado internacional. A ideia é que a mudança seja aprovada ainda nesta quarta-feira (25/6), durante uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Além de fortalecer a matriz energética brasileira, a alteração busca ajudar na contenção da inflação. O governo espera que a redução no custo dos combustíveis ajude a compensar eventuais aumentos nas tarifas de energia, especialmente após o Congresso incluir dispositivos na Lei das Eólicas Offshore que podem encarecer o setor em bilhões de reais.
Paralelamente, o Planalto também trabalha na elaboração de uma Medida Provisória para corrigir os impactos dessas mudanças legislativas. Uma minuta do texto está há cerca de um mês na Casa Civil. A intenção é reduzir o custo anual imposto pelos chamados "jabutis" de R$ 35 bilhões para R$ 11 bilhões.
Com essas ações, o governo busca equilibrar as contas públicas, proteger o consumidor brasileiro e manter a estabilidade da economia em meio ao cenário internacional incerto.
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