O Manchester United transformou uma noite que parecia destinada a ampliar sua crise em um capítulo de resistência. Nesta terça-feira (3), em Old Trafford, pela quarta rodada da fase de liga da Champions League, os Red Devils protagonizaram uma virada épica diante da Roma.
Depois de um primeiro tempo desastroso, em que foi para o intervalo perdendo por 2 a 0, o time inglês encontrou forças para reagir na etapa complementar e venceu por 3 a 2, com Matheus Cunha como protagonista absoluto da remontada.
United flerta com mais um desastre, mas encontra reação em Old Trafford
A impressão inicial era de que o Manchester United caminhava para sua décima partida consecutiva sem vitória. O clube atravessa mais uma profunda crise de identidade neste início de temporada, e o desempenho diante da Roma parecia apenas confirmar a incapacidade de encontrar uma direção.
Em menos de 20 minutos, os italianos já haviam construído uma vantagem de dois gols, diante de um adversário desorganizado, inseguro e incapaz de oferecer resistência consistente.
O primeiro tempo dos ingleses foi terrível. A equipe não conseguia controlar o jogo, sofria para se organizar defensivamente e tampouco encontrava soluções para incomodar a Roma. Enquanto o futebol dentro de campo expunha novamente os problemas do United, as arquibancadas também davam sinais de insatisfação.
No ano em que a família Glazer completava 21 anos no poder, torcedores atiraram bolas de tênis — no minuto 21 — no gramado em forma de protesto contra os proprietários do clube.
A manifestação não surgiu isolada de uma noite ruim. O United acumula problemas em diferentes níveis: bagunça institucional, decisões equivocadas fora das quatro linhas, um treinador iniciante que aparenta dificuldades para encontrar respostas, jogadores que não entregam o desempenho esperado e uma sequência de lesões que compromete o planejamento. O conjunto dessas circunstâncias ajuda a explicar por que o clube vem acumulando resultados negativos e apresentando tão pouca estabilidade.
Diante desse cenário, a desvantagem de dois gols parecia mais um retrato da temporada do que um acidente a ser corrigido. A Roma tinha o controle emocional da partida, enquanto o United parecia novamente sem recursos para sair de uma situação adversa. Old Trafford, acostumado a testemunhar grandes noites europeias, via um time que pouco lembrava a força histórica associada à camisa vermelha.
Mas o segundo tempo reservou uma resposta que dificilmente poderia ser prevista pelo que aconteceu antes do intervalo. O United voltou com outra disposição, passou a disputar cada bola com intensidade e encontrou em Matheus Cunha a figura que faltava para transformar a indignação em futebol.
O brasileiro foi o jogador mais sanguíneo da noite: vibrava, brigava, chamava a responsabilidade e contagiava os companheiros com uma entrega que contrastava com a apatia anterior.
Como foi a vitória da Roma sobre o Manchester United
A Roma precisou de apenas 11 minutos para desbloquear a caótica defesa do Manchester United. O time italiano pressionou a saída dos Red Devils, roubou a bola de Kobbie Mainoo no meio-campo e Donyell Malen acionou Rodrigo Mora no corredor esquerdo. O português descolou lindo lançamento para Matías Soulé, que dominou livre de marcação na área e finalizou na saída de Senne Lammens. Foi o suficiente para colapsar os donos da casa.
Organizada e consciente de suas ações, a equipe romanista se aproveitou da bagunça tática e do psicológico abalado do United. Cinco minutos depois, em jogada parecida com a do primeiro gol, Soulé clareou dentro da área, finalizou e a bola acertou o braço esticado de Ayden Heaven. Pênalti. Malen deslocou Lammens na cobrança e fez 2 a 0.
Nas cordas e precisando desesperadamente de uma reação, os Red Devils voltaram mais ligados para a etapa complementar. Logo aos 10′, Matheus Cunha “cavou” pênalti em lance duvidoso, e o árbitro apontou para marca da cal. Bruno Fernandes parou em Devis Vásquez, mas a cobrança precisou voltar por conta da invasão de Bryan Cristante antes da batida. Na segunda tentativa, o camisa 8 não perdoou.
A pressão em busca do gol de empate foi grande, e a Roma não resistiu. Com 37′ no relógio, Bruno Fernandes alçou bola no miolo da grande área, Leonardo Balerdi falhou feio na hora de fazer o corte e Cunha se aproveitou escorando para o fundo do gol.
E o poder de decisão do brasileiro não parou por aí. Aos 40′, Cunha acertou lindo chute no ângulo e selou uma vitória que pode, quem sabe, mudar os rumos da temporada do gigante inglês.
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