O Parque Estadual de Guajará-Mirim, em Rondônia, segue sendo alvo constante de invasões, extração ilegal de madeira e queimadas. Durante ações da Operação Verde Rondônia, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar, foram encontrados equipamentos escondidos na floresta, como motosserras e combustíveis, utilizados por criminosos para a derrubada de árvores.
Com cerca de 220 mil hectares, a unidade de conservação é destinada à preservação ambiental e à pesquisa científica. Apesar disso, sofre intensa pressão de invasores e madeireiros ilegais. Em 2024, durante o período de seca, o parque enfrentou mais de um mês de desmatamento e incêndios criminosos, quando equipes de combate ao fogo chegaram a ser atacadas por invasores.
Além de Guajará-Mirim, outras unidades de conservação de Rondônia também enfrentam abandono e irregularidades. Um dos casos mais graves envolve a Resex Jaci-Paraná, onde a Assembleia Legislativa aprovou uma lei que anistia ocupantes irregulares, perdoa multas por crimes ambientais e até mesmo protege quem comprou produtos oriundos da área nos últimos 30 anos.
Neste ano, as equipes da Operação Verde Rondônia já combateram 1.468 focos de incêndio, realizaram 444 averiguações e resgataram 92 animais silvestres. Pontes construídas ilegalmente por invasores foram destruídas e áreas devastadas por madeireiros foram identificadas. As ações envolvem tropas em seis grupamentos do Corpo de Bombeiros Militar e em 32 localidades críticas para queimadas.
Apesar dos esforços, o trabalho de fiscalização sofre com a falta de recursos. Em junho de 2025, a Assembleia Legislativa rejeitou o Projeto de Lei 803/2025, que destinaria R$ 10 milhões adicionais à Sedam para custear operações contra o desmatamento e pagar diárias de fiscais ambientais. Apenas os deputados Eyder Brasil (PL) e Cláudia de Jesus (PT) votaram a favor.
A decisão acontece em um momento crucial: o ano da COP 30 na Amazônia. A recusa no reforço orçamentário fragiliza a defesa ambiental de Rondônia, estado que figura entre os que mais desmatam e queimam na Amazônia. A falta de ação pode gerar impactos econômicos diretos, já que a União Europeia e outros mercados discutem embargos a produtos oriundos de áreas de alto impacto ambiental.
A preservação de Guajará-Mirim e de outras unidades de conservação depende de políticas firmes, fiscalização constante e investimentos estruturados para conter os crimes ambientais que ameaçam o presente e o futuro da Amazônia.

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