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Domingo, 31 de Maio de 2026

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Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água no último ano

Com mananciais da Grande SP operando com apenas 26% da capacidade, estado reforça alerta hídrico; país já perdeu 15% da superfície de água natural desde 1985

Notícias de Porto Velho
Por Notícias de Porto Velho
Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água no último ano
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O Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água apenas no último ano, uma extensão equivalente a mais de duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Os dados são do levantamento mais recente do MapBiomas Água, que aponta uma perda acumulada superior a 2 milhões de hectares de água natural desde 1985.

O cenário de retração hídrica atinge seu ponto mais crítico neste fim de ano na região metropolitana de São Paulo. Os principais mananciais que abastecem a Grande SP operam com apenas 26,42% da capacidade, segundo o Sistema Integrado Metropolitano (SIM).

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Reservatórios estratégicos como Cantareira e Alto Tietê estão no limite do nível de atenção, o que levou o governo estadual a autorizar a redução de pressão na rede das 19h às 5h.

Segundo o Boletim nº 111 do Cemaden, com a manutenção das chuvas abaixo da média devido à La Niña, o Cantareira pode atingir apenas 18% de seu volume útil em março de 2026. Em comparação, no mesmo período de 2025, o sistema operava próximo de 60%.

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Aquecimento Global

Dados do observatório europeu Copernicus confirmam que o mundo ultrapassou a barreira de 1,5°C de aquecimento médio em 2024, intensificando as chamadas “secas relâmpago”, fenômenos de evaporação súbita que reduzem a umidade do solo em velocidade recorde, conforme alerta o Cemaden.

O calor extremo reflete diretamente na saúde pública: em São Paulo, os atendimentos ambulatoriais por insolação cresceram 27% em 2025, totalizando 1.052 casos entre janeiro e outubro.

Especialistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos EUA, e do CPTEC/INPE, no Brasil, apontam que a transição entre um El Niño severo no último ano e a instalação do fenômeno La Niña neste fim de 2025 agravou a crise.

Enquanto o El Niño elevou as temperaturas a níveis recordes, a La Niña atual traz chuvas irregulares para o Sudeste, dificultando a recuperação do Sistema Cantareira.

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Paralelamente, o Monitor de Secas da ANA (Agência Nacional de Águas) confirma que a seca grave avançou pelo Vale do Paraíba e Minas Gerais, enquanto o Rio de Janeiro atingiu 100% de seu território sob seca.

Em Pernambuco, já há relatos de mortandade animal no Sertão devido à seca extrema. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), desastres impulsionados pela estiagem causaram prejuízos superiores a R$ 700 bilhões na última década.

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Foco em Solução

Para o engenheiro florestal André Ferretti, o Brasil enfrenta um período de adaptação a um “novo cenário” de imprevisibilidade: “Fenômenos que antes aconteciam com frequência e intensidade baixas, hoje aumentaram. Temos décadas de emissões de gases de efeito estufa que alteraram a dinâmica das massas de ar e correntes marítimas”, explica.

Ferretti ressalta que a preservação da água depende diretamente do uso da terra e que o setor privado precisa olhar “além de seus muros” para garantir a própria sobrevivência. “Não adianta eu ter uma empresa que cuida da água dentro do seu perímetro se a água nem chega lá porque a bacia hidrográfica não foi cuidada. Se não tivermos água, energia e clima adequado, a nossa economia não funciona. Tudo está interligado”, alerta o especialista.

Segundo o engenheiro, a impermeabilização e o desmatamento criam um ciclo vicioso de perdas. “Toda vez que desmatamos ou impermeabilizamos grandes áreas, perdemos a capacidade do solo de absorver água. Na escassez, temos menos reserva; na chuva intensa, a água desce rápido demais, gerando inundações e levando embora a fertilidade do solo”, detalha.

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Apesar do cenário crítico das mudanças climáticas, André Ferretti vê um avanço na forma como o brasileiro encara o problema. Para ele, a realização da COP30 em Belém trouxe um “letramento climático” sem precedentes.

“Temos hoje uma sociedade muito mais madura para essas discussões. A proximidade da conferência acelerou processos em instituições públicas e privadas que agora têm mais ferramentas para tomar decisões”, afirma.

Segundo o especialista, o protagonismo do Brasil na agenda ambiental, que deve se estender até o final de 2026, é a chave para transformar o diagnóstico em ação.

“A natureza pode ser nossa maior aliada se agirmos preventivamente na restauração do território. É o caminho para reduzir riscos e garantir estabilidade para a economia e a sociedade”, conclui.

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FONTE/CRÉDITOS: GZ RONDONIENSE
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