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Segunda-feira, 04 de Maio de 2026

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Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE

Em 2024, mais de 10 milhões de brasileiros deixaram essa condição. Avanço da renda dos mais pobres e programas sociais explicam o resultado.

Notícias de Porto Velho
Por Notícias de Porto Velho
Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE
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O Brasil registrou, em 2024, os menores índices de pobreza e extrema pobreza desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Os dados estão na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2024, divulgada nesta quarta-feira (3), e mostram uma melhora expressiva nas condições de vida da população.

Entre 2023 e 2024, a extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5% — redução equivalente a 1,9 milhão de pessoas. Já a taxa de pobreza recuou de 27,3% para 23,1%, o que representa 8,6 milhões de brasileiros deixando essa condição.

Como o estudo define pobreza?
O IBGE utiliza o conceito de “pobreza monetária”, analisando apenas a renda disponível das famílias. Sem uma linha oficial brasileira, o instituto adota parâmetros do Banco Mundial. Em 2024, foram considerados pobres os domicílios com renda inferior a US$ 6,94 por pessoa/mês, e extremamente pobres aqueles com menos de US$ 2,18.

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Renda em alta
A queda na pobreza está associada ao aumento da renda média dos brasileiros. O rendimento domiciliar per capita chegou a R$ 2.017 mensais, o maior da série histórica. Entre os 10% mais pobres, o avanço foi ainda maior: 13,2% em um ano.

📉 Desigualdade também diminui
O Índice de Gini, utilizado para medir a distribuição de renda, caiu de 0,517 para 0,504, também o menor da série desde 2012. A diferença entre ricos e pobres se reduziu, embora ainda permaneça elevada.

Segundo o pesquisador do IBGE André Geraldo de Moraes Simões, o desempenho positivo decorre principalmente da melhora do mercado de trabalho e do impacto dos programas sociais. “Mais de 70% da renda domiciliar vem do trabalho. Quando esse mercado está aquecido, isso aparece diretamente na renda das famílias”, afirma.

A presença dos programas de transferência de renda também foi decisiva. Sem esses benefícios, a extrema pobreza saltaria de 3,5% para 10%, e a pobreza subiria de 23,1% para 28,7%.

Vulnerabilidade permanece em grupos específicos
Apesar dos avanços, alguns segmentos seguem desproporcionalmente atingidos:

  • 39,7% das crianças e adolescentes (0 a 14 anos) vivem abaixo da linha da pobreza;

  • Entre pessoas pardas e pretas, a taxa chega a 29,8% e 25,8%, respectivamente;

  • Mulheres têm índice maior (24%) do que homens;

  • Idosos registram a menor taxa (8,3%), devido principalmente à aposentadoria.

Nordeste concentra maior parte da pobreza
O Nordeste, que abriga 26,9% da população brasileira, responde por mais da metade das pessoas em extrema pobreza (50,3%) e por 45,8% da população pobre do país. Em 2024, 39,4% dos nordestinos viviam abaixo da linha da pobreza, seguido do Norte (35,9%). Já Sul e Centro-Oeste tiveram as menores taxas de extrema pobreza, com 1,5% e 1,6%.

Mesmo com emprego, milhões seguem pobres
O estudo identificou 11,9% dos trabalhadores — cerca de 12 milhões de pessoas — vivendo em domicílios pobres. A extrema pobreza entre ocupados atingiu 0,6% (585 mil pessoas). O risco é maior entre quem não trabalha: 47,6% dos desocupados e 27,8% dos inativos estão na pobreza.

Entre as ocupações mais afetadas estão:

  • Trabalhadores domésticos (8,7% dos trabalhadores pobres);

  • Agricultores e trabalhadores rurais qualificados (6,6%).

Ao todo, dez ocupações concentram 41,7% dos trabalhadores pobres no país.

O relatório revela avanços importantes, mas reforça que desafios persistem — especialmente para crianças, mulheres, populações negras e regiões historicamente vulneráveis.

FONTE/CRÉDITOS: GZ RONDONIENSE
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