Você piscou e lá se foram as primeiras rodadas das cinco grandes ligas europeias. Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A italiana e Ligue 1 entraram na pausa para a Data Fifa com algumas sugestões sobre o que a temporada reserva.
O Monaco, por exemplo, vai passar a parada internacional na liderança do Francês com desempenho que tem tudo para consolidar o técnico Filipe Luís no futebol europeu. A decisão de escolher o brasileiro se mostra cada vez mais acertada. Já a do Real Madrid, pelo técnico José Mourinho ainda é difícil de avaliar, com um aspecto positivo e algumas questões pendentes.
Os jogos desta reta inicial também evidenciaram que os ditos favoritos absolutos antes de ser dada a largada para a campanha 2026/27 podem não ser tão soberanos assim. A Trivela explica a seguir.
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PSG tem hegemonia ameaçada na Ligue 1 por Monaco de Filipe Luís
Um dos francos favoritos com a hegemonia ameaçada é o PSG. Bicampeão da Champions League, penta consecutivo na Ligue 1 e com elenco ainda mais reforçado, o time comandado por Luis Enrique tem apresentado certa inconsistência a nível nacional e ocupa apenas o 6º lugar, com oito pontos conquistados de 15 possíveis.
Começar a temporada aquém do esperado não é incomum para os parisienses desde que o espanhol assumiu como técnico, contudo, a equipe vê adversários — como o Monaco — mais motivados e em ótima fase abrirem vantagem.
O clube do Principado está invicto no Campeonato Francês e registra quatro vitórias e um empate. Filipe Luís tem conseguido implementar suas ideias de um jogo mais ofensivo — tanto que superou o próprio PSG na base da coragem e ousadia — e se sobressai também ao “saber sofrer”, como quando venceu o Lens.
A favor do Monaco está ainda o fato de não ter o peso do favoritismo nos ombros. Aliás, o mesmo se aplica a Lyon, Paris FC, Lille e Rennes, outros â frente do PSG na tabela. Cabe a Luis Enrique e companhia encontrar soluções para voltar ao topo no país. A estratégia de não rotular jogadores como titulares e reservas dá indícios de ser correta, mas deve levar tempo para funcionar plenamente.
‘Ajudinha' de arquirrival pode ser o impulso que o Borussia Dortmund precisava na Bundesliga
Outro clube que não está acostumado a ficar longe do topo é o Bayern de Munique. Os Bávaros, porém, só ocuparam a primeira colocação da Bundesliga 2026/27 após a rodada inaugural. Sem imediatismos, óbvio, ainda há muito para acontecer, mas a questão é que o Borussia Dortmund pode ter encontrado uma forma de fazer frente e acirrar a briga.
Um ajuste aqui e outro ali garantiram aos Aurinegros o melhor início na Bundesliga em 11 anos. Niko Kovac tem tido êxito em equilibrar juventude e experiência e montou uma espinha dorsal eficaz.
O goleiro Kobel e o zagueiro Anton, pilares na defesa ao lado de Nico Schlotterbeck, ajudaram a fazer com que o time não fosse vazado mais do que duas vezes. O reforço Joane Gadou também contribuiu significativamente neste aspecto apesar da pouca idade (19 anos). O meio-campo ainda é inconstante, mas a defesa calibrada e a eficiência ofensiva, com Serhou Guirassy em ótima fase, dá resultados.
Além disso, o Dortmund teve uma ajuda valiosa do arquirrival Schalke 04 para assumir a liderança. A equipe azul royal conseguiu a façanha de brecar o poderoso ataque do Bayern na segunda rodada e, com o 0 a 0, impediu o 100% de aproveitamento do clube de Munique. O BVB, por sua vez, somou quatro vitórias em quatro jogos e conquistou dois pontos de margem.
Roma desbanca Napoli e surge como forte candidata ao título na Serie A
Ao contrário do Borussia Dortmund — que figurava na lista de principais candidatos ao título alemão — a Roma não estava entre as duas equipes mais cotadas ao Scudetto nas projeções da Serie A, que eram Internazionale e Napoli. No entanto, o desempenho giallorossi sugere que isso vai mudar.
O plantel comandado por Gian Piero Gasperini foi avassalador nas cinco primeiras rodadas e empatou na liderança com Inter e Lazio, todos com 13 pontos. Assumiu a ponta graças ao equilíbrio entre ataque feroz e defesa firme.
A Roma começou o Campeonato Italiano com duas vitórias por 4 a 0 (contra Fiorentina e Lecce) e depois aplicou 2 a 1 na Atalanta e 2 a 0 no Torino. No desafio de fogo com os nerazzurris, empatou em 2 a 2. O saldo de gols é de 11, enquanto Inter e Lazio registram, respectivamente, sete e cinco no quesito.
O Napoli, que já estava desgastado desde a temporada anterior, encontra dificuldades justamente neste aspecto. A equipe fez sete gols e tomou seis nos cinco jogos que disputou na Serie A. Agora sob o comando de Massimiliano Allegri, soma duas vitórias e duas derrotas, além de um empate, e ocupa a 9ª colocação.
Times do Big Six da Premier League têm amostras de suas batalhas
Problemas defensivos também permearam as cinco rodadas iniciais da Premier League. O Arsenal não era acostumado a sofrer com isso na campanha anterior, mas o setor deixou a desejar na amarga derrota para o Brighton e ligou um sinal laranja. Manchester City, embora se preocupe com a quantidade de gols cedidos, celebra as cinco vitórias nas cinco primeiras rodadas.
O Chelsea, por sua vez, também se preocupa com sua fragilidade defensiva – tem a pior defesa da Premier League com 12 gols cedidos – e diferentemente dos Citizens, os londrinos somam apenas duas vitórias.
As cinco primeiras rodadas indicaram que a briga pelo título deve ficar entre Gunners e Citizens, enquanto os Blues focam em se estabelecer com Xabi Alonso. A ideia de se firmar antes de buscar pretensões maiores pode ser aplicada ainda ao Liverpool de Andoni Iraola.
Os Reds apresentaram melhora significativa na parte física — que era uma meta do espanhol na pré-temporada –, porém, não têm feito performances que permitam colocá-los em condições de igualdade com os dois primeiros, City e Arsenal.
Já as situações de Manchester United e Tottenham são de alerta máximo. Os Red Devils até conseguem ter volume durante as partidas, mas não convertem as chances criadas em gols e sofrem além da conta para arrancar pontos do adversário principalmente pelos “apagões”, a exemplo do ocorrido contra o Fulham.
Por falar nisso, ao empatar com United, os Cottagers colocaram os Spurs na lanterna da Premier League. Ocupar a última posição já torna o caso de Roberto De Zerbi mais delicado que o de Michael Carrick, além disso, o Tottenham gastou bilhões em reforços e não reflete o investimento em melhorias em campo. A maior dificuldade da equipe é no terço final.
Mourinho tem mérito no Real Madrid, mas Barcelona coloca disputa de LaLiga em outro nível
Na Espanha, a ida de José Mourinho para o Real Madrid é algo a se destacar positiva e negativamente. Os acontecimentos recentes explicam a escolha da diretoria merengue pelo português, uma vez que o treinador sabe blindar o elenco como ninguém. Em um vestiário de estrelas, que teve problemas no passado, como a briga entre Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni, a experiência nesse contexto é favorável.
Mourinho e seu histórico ajudam muito no extracampo. Ele repete o discurso do presidente Florentino Pérez, algo que os antecessores não conseguiram. O luso chama para si a responsabilidade e controla a narrativa nas aparições diante de microfones e câmeras. Desde imprimir fotos de lances para endossar suas críticas à arbitragem após uma derrota no Dérbi de Madri, até proteção pública a jogadores como Vinícius Junior. Mas só isso é pouco.
Taticamente, o técnico ainda não encontrou uma forma de fazer a defesa evoluir e o ataque funcionar melhor com Vini e Mbappé. Para azar da comissão merengue, esse tipo de problema está longe da região da Catalunha, onde o rival Barcelona segue em plena forma.
O Barça, bem envolvente, deixa a tarefa de Mourinho mais complicada ao contabilizar sete vitórias em sete jogos de LaLiga e conquistar o notório aproveitamento com exibições de gala. Raphinha se destaca como falso 9, Lamine Yamal quebra recordes, reforços se encaixam sem dificuldades, jovens da base brilham e Hansi Flick e companhia estabelecem um novo nível na briga pelo título.
Os pontos positivos da equipe catalã — organização, poderio ofensivo e meio-campo consistente — são alguns dos fatores que carecem de melhorias no Real Madrid para que o time da capital espanhola possa equiparar a disputa e Mourinho consiga se sobressair também nas quatro linhas.
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