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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026

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A baixa utilização de Endrick e Estêvão nos clubes pode atrapalhar Ancelotti na Seleção? Analisamos

A nova era da seleção brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti começa com uma situação que merece atenção, mas também alguma cautela na análise. Endrick e Estêvão, dois dos principais nomes da nova geração ofensiva do futebol brasileiro, foram convocados para a Data Fifa de setembro/outubro, embora vivam momentos de pouca utilização em seus …

Notícias de Porto Velho
Por Notícias de Porto Velho
A baixa utilização de Endrick e Estêvão nos clubes pode atrapalhar Ancelotti na Seleção? Analisamos
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A baixa utilização de Endrick e Estêvão nos clubes pode atrapalhar Ancelotti na Seleção? Analisamos

A nova era da seleção brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti começa com uma situação que merece atenção, mas também alguma cautela na análise. Endrick e Estêvão, dois dos principais nomes da nova geração ofensiva do futebol brasileiro, foram convocados para a Data Fifa de setembro/outubro, embora vivam momentos de pouca utilização em seus clubes.

O primeiro tem apenas quatro minutos pelo Real Madrid na temporada, enquanto o segundo soma 148 minutos em seis partidas pelo Chelsea. A diferença entre eles é pequena quando o assunto é espaço: ambos ainda procuram uma sequência que lhes permita ganhar maior protagonismo na Europa.

O cenário naturalmente levanta uma questão para a Seleção. A falta de ritmo e de oportunidades pode comprometer o desenvolvimento dos dois atacantes e, consequentemente, atrapalhar os planos de Ancelotti?

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A resposta não passa somente pela quantidade de minutos acumulados. É preciso considerar o que Endrick e Estêvão já fizeram pela Amarelinha, o estágio de suas carreiras e, principalmente, o momento de construção da equipe brasileira depois da Copa do Mundo.

A convocação, nesse sentido, também funciona como uma mensagem do treinador. Mesmo sem sequência nos clubes, a dupla continua dentro do radar de Ancelotti e terá três partidas — duas contra a Austrália e uma diante da Índia — para mostrar como está respondendo ao novo ciclo. Mais do que procurar respostas definitivas, o italiano começa a observar quais jogadores podem fazer parte de sua estrutura e em que funções cada um pode ser utilizado.

Estêvão e Endrick entre o potencial na Seleção e a falta de espaço nos clubes

Estêvão se lamenta durante jogo do ChelseaEstêvão se lamenta durante jogo do Chelsea (Foto: Paul Terry / Sportimage / IMAGO)

As trajetórias recentes dos dois ajudam a dimensionar o problema. Estêvão perdeu a Copa por causa de lesão e agora retorna à Seleção justamente em um momento no qual ainda busca espaço no Chelsea. Desde a chegada de Xabi Alonso, em julho, o atacante participou de seis partidas, mas só duas delas como titular. É pouco para quem precisa transformar talento em regularidade no futebol europeu, embora também seja cedo para tirar conclusões sobre sua relação com o novo treinador.

Estêvão já demonstrou pela Canarinho algumas das características que fizeram dele uma das grandes apostas brasileiras para o futuro. O ex-Palmeiras tem capacidade para enfrentar defensores no um contra um, encontrar soluções em espaços reduzidos e criar jogadas a partir da individualidade.

Não é apenas um jogador que ganhou projeção pelo que apresentou nas categorias de base. Existe um histórico recente com a Amarelinha que sustenta sua presença no planejamento, mesmo que tenha ficado fora do Mundial.

No Chelsea, porém, a disputa por espaço é outra realidade. O jogador precisa convencer Xabi Alonso diariamente, adaptar-se às ideias do técnico e aproveitar as oportunidades que aparecem. Na coletiva da Seleção, Estêvão deixou claro que não pretende transformar a pouca utilização em um problema público.

— Eu acho que cada técnico tem sua maneira de jogar. Claro que a gente trabalha todos os dias, dou o meu melhor todos os dias, e é isso o que eu faço. A gente tem jogadores de qualidade no Chelsea, então o que eu faço é focar no que eu posso controlar, tento dar meu melhor nos treinos, quando recebo oportunidade tento dar meu melhor, isso vai dia após dia. Todas as oportunidades que eu tenho tento agarrar muito, tento controlar tudo o que eu posso e deixo nas mãos de Deus, e eu confio muito em mim também — afirmou.

E Endrick?

Endrick no banco de reservas do Real MadridEndrick no banco de reservas do Real Madrid (Foto: Cesar Cebolla / Pressinphoto / IMAGO)

Endrick vive um momento ainda mais delicado. Depois de uma primeira temporada no Real Madrid marcada por sete gols em 37 jogos com Ancelotti no comando, o atacante acabou emprestado ao Lyon, onde foi importante em 2025/26. De volta ao Santiago Bernabéu, porém, praticamente não entrou nos planos de José Mourinho neste início de campanha.

A ausência de sequência obviamente reduz as possibilidades de evolução por meio dos próprios jogos, mas não elimina aquilo que o centroavante já apresentou em nível profissional. A Seleção também conhece esse potencial.

Endrick foi convocado para a última Copa do Mundo e recebeu poucas oportunidades durante a competição. Quando acionado, não conseguiu produzir o impacto esperado, mas sua passagem pela Amarelinha antes do Mundial já havia mostrado características que podem colocá-lo na disputa pela camisa 9: força para atacar a área, velocidade na profundidade, boa capacidade de finalização e uma presença ofensiva que vai além de simplesmente esperar a bola dentro da área.

Dito isso, Endrick e Estêvão chegam à Seleção pelo mesmo motivo que explica a preocupação com a pouca minutagem: são jogadores jovens, ainda em processo de consolidação na Europa, mas que já despertaram expectativas pelo que apresentaram no Brasil e com a própria Amarelinha.

A diferença está no estágio atual de cada um. Enquanto Endrick praticamente não tem participado dos jogos do Real Madrid, Estêvão ainda encontra algumas brechas no Chelsea.

Para Ancelotti, são situações que exigem acompanhamento individual, e não necessariamente a mesma resposta.

O impacto na Seleção e os planos de Ancelotti

Carlo Ancelotti durante jogo da seleção brasileira Carlo Ancelotti durante jogo da seleção brasileira (Foto: Nicolo Campo / IMAGO)

A falta de minutos preocupa principalmente porque futebol de seleção não oferece o mesmo tempo de trabalho existente em um clube. Ancelotti terá poucos treinamentos para implementar suas ideias e preparar a equipe. Nesse cenário, jogadores que chegam com ritmo competitivo tendem a oferecer respostas mais imediatas.

Não se trata só de condicionamento físico: sequência também interfere em tomada de decisão, intensidade, confiança e capacidade de executar movimentos sob pressão.

Por outro lado, seria exagero transformar a baixa utilização em um obstáculo incontornável para a Seleção neste momento. O ciclo pós-Copa se inicia agora, e Ancelotti tem justamente uma sequência de compromissos que permite ampliar suas observações.

A convocação de Endrick e Estêvão indica que o treinador não pretende esperar que todos os jogadores estejam vivendo seu melhor momento nos clubes para começar a avaliá-los. Há uma diferença importante entre reconhecer a falta de ritmo e considerar que ela inviabiliza a utilização de um atleta.

A própria confiança demonstrada por Ancelotti pode ter um peso relevante. Estêvão revelou que ele e Endrick sabem que não estão recebendo muitas oportunidades nos clubes, mas enxergam a presença na Seleção como uma forma de responder a esse momento. O reencontro dos dois também recupera uma parceria construída desde as categorias de base do Palmeiras, agora em um contexto completamente diferente e com responsabilidades maiores.

— A gente tem uma amizade muito grande, nos consideramos como irmãos, jogamos muito tempo na base do Palmeiras e um pouco na Seleção. É uma responsabilidade muito grande estar aqui, porque a gente quer agarrar, é uma coisa incrível estar aqui desde muito jovem. Sabemos que não estamos tendo muitas oportunidades nos nossos clubes, mas saber que o Ancelotti confia na gente é uma motivação pra buscar melhorar no clube e aqui — disse.

Para Ancelotti, portanto, o principal não é simplesmente fazer Endrick e Estêvão acumularem minutos com a Seleção para compensar aquilo que não estão jogando nos clubes. As partidas contra Austrália e Índia — bem como as próximas — podem servir para entender como os dois se encaixam nas ideias do treinador, quais funções conseguem desempenhar e de que maneira podem competir por espaço ao longo do ciclo. A minutagem será um componente dessa avaliação, mas não o único.

O problema apareceria caso a falta de oportunidades se tornasse um padrão prolongado. Se Endrick continuar praticamente fora da rotação do Real Madrid e Estêvão permanecer restrito a participações esporádicas no Chelsea, a Canarinho terá cada vez menos referências recentes sobre a evolução competitiva da dupla. Para jogadores jovens, a experiência acumulada em partidas de alto nível é parte importante do processo de formação.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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